Com a última atualização, norma agora contempla riscos psicossociais no ambiente de trabalho e passa a exigir PGRs focados no problema
Criada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tem se destacado como um marco fundamental para a segurança e saúde no trabalho. Em sua última edição, de 2024, ela trouxe novidade relevante ao reconhecer que a saúde mental é tão importante quanto a física, para obter qualidade de vida e produtividade.
Sob a nova ótica do MTE, o tema deixou de ser tratado como secundário e passou a ser compreendido como um fator crítico, capaz de impactar diretamente a eficiência, a satisfação e o bem-estar dos colaboradores. Esse avanço é resultado de uma compreensão mais ampla da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do MTE, que reconhecem o ambiente laboral como um dos principais influenciadores da saúde psicológica.
A partir de maio de 2026, o ministério passará a exigir que os Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) incluam práticas que vão além da prevenção de acidentes físicos. Com isso, as instituições devem abranger a prevenção dos transtornos mentais relacionados ao trabalho.
Segundo a doutora em administração e professora do FIA Business School, Lina Nakata, antes da mudança, a NR-1 já previa riscos físicos, químicos e biológicos nas empresas. Para ela, mapear os riscos psicossociais torna-se essencial à medida que os trabalhadores têm apresentado problemas como baixo desempenho, estresse e burnout, deixando, inclusive, de trabalhar por esses motivos.
“Quando esse mapeamento de riscos psicossociais não é feito, as organizações não se mobilizam para buscar compreensão e ações para apoiar os funcionários nesse sentido. Além disso, o fato de levar esse tema como obrigatório para o ambiente de trabalho já começa a trazer uma reflexão para a gestão das empresas”, diz Nakata.
PGR
A atualização da NR-1 exige que as empresas implantem programas de gestão de riscos relacionados à saúde mental, com identificação, análise e controle desses fatores. Também prevê campanhas de conscientização, formação sobre o tema para gestores e empregados e o incentivo à comunicação aberta e empática no ambiente de trabalho.
Para o diretor de Recursos Humanos do Conselho Federal de Administração, Francisco Costa, as empresas precisam se adaptar a esse novo cenário de respeito às necessidades psicossociais dos colaboradores. Segundo ele, a mudança deve ocorrer tanto em nível organizacional quanto individual, como no caso dos gestores que devem ser treinados para reconhecer e saber lidar com o problema.
“A mentalidade corporativa precisa mudar ao se deparar com esse desafios do século 21. A promoção de campanhas que visem à saúde emocional deve ser encarada como uma estratégia de valorização e cuidado contínuo com o capital humano”, diz Costa.
Segundo o administrador, a NR-1 reforça a importância do acolhimento e do suporte aos trabalhadores que enfrentam problemas de saúde mental. Isso inclui o acesso facilitado a serviços especializados, como psicólogos e psiquiatras, e a adoção de políticas internas que visem à reintegração e o tratamento adequado.
Essas ações evitam o agravamento dos transtornos e minimizam o impacto negativo sobre a produtividade e a qualidade de vida do trabalhador. Costa ressalta que não se trata mais de discutir “se a empresa deve agir”, mas de definir como fará isso por meio de seu PGR.
“Na rotina corporativa, isso significa mapear riscos psicossociais, criar canais de acolhimento, fortalecer lideranças para gestão humanizada e adotar políticas que reduzam estresse e burnout. O PGR precisa tratar esses fatores com o mesmo rigor aplicado a riscos físicos, químicos ou ergonômicos”, sentencia Costa.
Benefícios
As organizações que já adotam as diretrizes da NR-1 voltadas aos riscos psicossociais relatam benefícios significativos, como a redução do absenteísmo, a melhoria do clima organizacional e o fortalecimento da cultura de respeito e inclusão. Funcionários satisfeitos e saudáveis tendem a demonstrar maior engajamento e desempenho, fatores essenciais para a competitividade e sustentabilidade dos negócios.
Segundo o administrador e presidente do CFA, Leonardo Macedo, compreender e implementar a NR-1 com foco no equilíbrio mental é um passo estratégico para empresas que valorizam suas equipes e buscam se posicionar como referências em responsabilidade social e qualidade de vida no trabalho. Ele reforça que o bem-estar psicológico do trabalhador é tão vital quanto o cuidado com sua segurança física.
“Entender e implementar a NR-1 com foco na saúde mental é um passo estratégico para empresas que valorizam suas equipes e querem se posicionar como referências em responsabilidade social e qualidade de vida no trabalho. O cuidado com a mente do trabalhador é tão vital quanto o cuidado com sua segurança física”, diz.
Em um cenário em que as demandas profissionais estão cada vez mais complexas e os impactos do estresse se multiplicam, a NR-1 oferece o caminho para uma transformação que beneficia tanto profissionais quanto organizações. “Saúde mental não é luxo, é necessidade – e a norma reforça esse princípio, garantindo que todos possam atuar em ambientes justos, saudáveis e humanos”, diz Macedo.
Assesoria de Comunicação do CFA
